Aos 40: Rompendo o Script que Criaram para Mim
A gente vai passando pela vida e se questionando: será que estou fazendo tudo certo ou tudo errado? Esse questionamento bateu forte com a aproximação dos meus 40 anos. Não tive filhos, não sou casada e, para ser sincera, não tenho essa pretensão. Essa fase passou, e está tudo bem. Mas a grande dúvida ainda ecoa: essa decisão está certa ou errada?
Foram duas semanas de choro, orações e muitos monólogos internos.
Hoje vejo que não há tolice em parar para questionar o caminho, mas entendo que o essencial é que estou viva e vivendo de verdade. Como diz o bordão de um certo cantor por aí: viver é diferente de estar vivo.
Minha geração, assim como muitas mulheres nascidas na década de 1980, foi ensinada e educada sob uma mesma cartilha: crescer, casar e ter filhos. Romper com essa expectativa não é um erro; é a escolha consciente de construir a própria trajetória.
Chegar perto dos 40 anos nos dá a perspectiva necessária para entender que a vida perfeita não é aquela que atende às expectativas dos outros, mas sim a que nos permite deitar a cabeça no travesseiro com a consciência em paz. As dores, as renúncias e as escolhas de cada etapa me trouxeram exatamente até aqui, moldando a mulher inteira, dona de si e dona da própria história que sou hoje.
Se existir algum "certo" nessa jornada, ele está no ato de assumir a própria felicidade sem precisar pedir licença ou aprovação. Aos 40, não devo explicações sobre as portas que optei por não abrir, mas sim comemoração pelas estradas incríveis que escolhi trilhar e pelo privilégio diário de viver com verdade.
Olho para trás com gratidão por tudo o que construí e para a frente com a certeza de que ainda há muito a se manifestar, aprender e desfrutar. Os 40 chegam não como o fim de uma lista de obrigações, mas como o início de uma fase em que o único compromisso real é ser fiel a mim mesma e viver cada dia com plenitude e leveza.



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